Gilbert Burns diz que a decisão de se aposentar não o atingiu em um único momento de emoção dentro do octógono. A derrota para Mike Malott apenas o obrigou a parar de mentir para si mesmo sobre o rumo que as coisas estavam tomando.
Essa parte torna suas palavras ainda mais impactantes. Burns diz que já tinha um plano de despedida com três lutas em mente. Ele queria enfrentar Colby Covington, depois lutar durante a Semana Internacional de Lutas e, por fim, encerrar a carreira no Brasil. Era para ser um final controlado, o tipo de final que os lutadores imaginam quando ainda acreditam que podem escolher o rumo da história. Em vez disso, o plano desmoronou em Winnipeg, e Burns parece ter entendido imediatamente que não havia como fingir o contrário.
Ele não falou como alguém com raiva do esporte. Falou como alguém que sabe exatamente o que este jogo pode fazer quando um lutador permanece nele por tempo demais. Burns mencionou nomes como BJ Penn e Anderson Silva, não para comparar carreiras, mas para deixar o ponto claro. Ele não quer que as pessoas o assistam e se perguntem por que ele continuou lutando depois que a verdadeira vantagem se foi. Esse medo transparecia em suas palavras mais do que a tristeza.
Burns tinha um plano final, mas Winnipeg o interrompeu prematuramente.
O que torna essa história mais impactante é a honestidade da sua lógica. Burns disse que Mike Malott se tornou a referência. Não por desrespeito, mas porque o respeita o suficiente para dizer isso abertamente. Se ele não conseguisse vencer um lutador nessa posição, não deveria continuar falando como se estivesse na disputa pelo título. Não há nenhuma tentativa de proteger o ego nessa frase. Nenhuma concessão. Apenas um veterano analisando o esporte da maneira como os lutadores geralmente evitam analisá-lo até muito mais tarde.

Esse tipo de autoconsciência é raro, especialmente logo após uma derrota. A maioria dos lutadores precisa de tempo para conseguir separar a dor da verdade. Burns parece já estar tendo essa conversa consigo mesmo há algum tempo. O nocaute apenas encerrou a discussão. Ele tem 39 anos, já enfrentou muitas lutas difíceis e a sequência recente estava indo na direção errada. Cinco derrotas seguidas não são uma fase ruim que se explica com uma noite ruim. Em algum momento, o corpo, o momento e os resultados começam a apontar na mesma direção.
Burns também não tentou transformar a aposentadoria em um discurso dramático de despedida sobre legado. Ele sabe o que foi sua carreira. Ele sabe que lutou contra os melhores. Ele sabe que dedicou anos de trabalho árduo e noites memoráveis à categoria. Talvez seja por isso que seu tom agora soe mais calmo do que muitas declarações de aposentadoria. Ele não está mais lutando por um último final perfeito. Ele está tentando se aposentar antes que o esporte lhe tire mais do que já tirou.
É difícil ouvir um lutador admitir que a versão de si mesmo que um dia acreditou em mais uma chance não existe mais. Burns sempre se comportou como um homem capaz de dar mais um passo à frente se tivesse a noite certa, o adversário certo, a sequência certa de vitórias. Agora, ele fala do outro lado dessa esperança. Não está amargurado, não está derrotado, apenas honesto o suficiente para dizer que a diferença entre quem ele era e quem ele precisa ser neste nível não é mais pequena a ponto de ser ignorada.
- Burns afirma que a aposentadoria já fazia parte dos planos antes de Winnipeg.
- Ele tinha três lutas finais planejadas em sua mente.
- A derrota para Mike Malott o convenceu de que o plano tinha que terminar imediatamente.
- Ele não quer que sua carreira entre em declínio, como os fãs se lembram pelos motivos errados.
É isso que dá a esta declaração mais peso do que uma simples aposentadoria. Burns não está se aposentando após uma derrota chocante que o deixou emocionado por uma noite. Ele está se aposentando porque olhou para o caminho à sua frente e não gostou do que provavelmente seria continuar. Neste esporte, essa talvez seja uma das conclusões mais difíceis para um veterano alcançar. Não que ele não possa mais lutar, mas que não deva continuar forçando a barra.
Haverá quem ainda acredite que ele tinha mais uma luta pela frente, mais um grande nome, mais uma chance de fazer uma despedida mais memorável do que esta. Os fãs sempre fazem isso com lutadores respeitados. Mas Burns não parece interessado em fantasias agora. Ele parece mais interessado em se aposentar com seu nome ainda associado à parte certa de sua carreira do que ficar por aí até que todos comecem a falar sobre lesões em vez de conquistas.
Essa é provavelmente a frase mais clara que permeia tudo o que ele disse. Ele queria escolher o desfecho. Só não conseguiu escolher o cenário exato. Winnipeg fechou a porta mais cedo e de forma mais dura do que ele esperava, e agora ele está aceitando isso sem rodeios. Para um lutador que passou tantos anos entrando de cabeça em lutas difíceis, parece apropriado que até a despedida seja sem rodeios.
Gilbert Burns não teve o plano de aposentadoria que imaginava. Teve algo mais difícil e abrupto. Mas também conseguiu tomar a decisão enquanto ainda parecia ter clareza sobre os motivos que a justificavam. Num esporte repleto de despedidas tardias e falsas últimas lutas, talvez essa seja a coisa mais sólida que ele ainda podia controlar.
Conversa de briga
Compartilhe sua opinião sobre esta história.
Fale connosco
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião. Discuta a luta, reações e previsões com outros fãs.