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Dana White diz que Anderson Silva parou de falar com ele.

Dana White UFC

Dana White reabriu uma das partes mais desconfortáveis ​​dos últimos anos de Anderson Silva no UFC.

O chefe do UFC diz que Silva não falou com ele desde que a organização deixou claro que "The Spider" não lutaria mais no octógono. Não foi uma despedida tranquila, pelo menos não segundo a versão de White. Silva ouviu a mensagem e respondeu com uma frase que ainda ressoa anos depois.

“Quem é você para me dizer que parei de fazer o que amo?”, disse Silva, de acordo com White.

Essa frase corta de vez o papo comum sobre aposentadoria. Silva não estava falando de rankings, contratos ou lutas marcadas. Ele estava falando sobre lutar como a coisa que o motivou a vida toda.

Anderson Silva

White disse que a conversa terminou tão mal que Silva nunca mais voltou atrás. Sem reconciliação amigável. Sem história pública de reencontro. Apenas um campeão lendário, um promotor que fechou as portas do UFC e anos de silêncio depois disso.

A luta contra Hall encerrou o capítulo do Octógono.

A última aparição de Silva no UFC foi contra Uriah Hall em 2020.

Hall o nocauteou com golpes, e a imagem era difícil de dissociar da decadência que a precedeu no final da carreira. Silva já havia sofrido diversas derrotas dolorosas depois que a era Chris Weidman mudou tudo. No fim, seu cartel não lembrava em nada o reinado que o tornara imbatível.

Ele perdeu sete das suas últimas nove lutas no UFC. Esse número é feio se comparado ao seu auge, mas também mostra por que o UFC chegou a esse ponto. A empresa não estava mais assistindo ao campeão que brincava com os adversários e fazia lutadores de elite errarem por centímetros. Estava assistindo a uma lenda decadente ainda tentando reencontrar aquele timing de outrora.

O problema é que as lendas raramente parecem estar finalizadas ao mesmo tempo que a empresa decide que elas estão finalizadas.

  • Dana White afirma que Anderson Silva parou de falar com ele após a última conversa que tiveram no UFC.
  • A última luta de Silva no UFC foi a derrota para Uriah Hall em 2020.
  • O ex-campeão perdeu sete de suas últimas nove lutas no UFC.
  • Posteriormente, após deixar a organização, Silva passou a se dedicar ao boxe.
  • Ele lutou boxe contra Julio Cesar Chavez Jr., Jake Paul e Tyron Woodley.
  • Silva entrou para o Hall da Fama do UFC em 2023.

Silva UFC

A sequência de lutas de boxe mostrou que Silva não havia terminado de competir.

Silva não abandonou os esportes de combate quando seu ciclo no UFC chegou ao fim.

Ele entrou no boxe e venceu Julio Cesar Chavez Jr. em 2021, um resultado que chamou a atenção, já que Chavez não era um adversário qualquer, uma celebridade. Posteriormente, Silva lutou contra Jake Paul e também venceu Tyron Woodley no ringue.

Essas lutas não trouxeram de volta o antigo reinado de Silva como campeão do UFC, mas provaram uma coisa com bastante clareza: Silva ainda queria os holofotes, o treinamento, a caminhada, o risco e a sensação de desvendar o mistério de outro homem em tempo real.

É aí que a separação de White se torna mais fácil de sentir. O UFC via um lutador cujo ciclo no Octógono havia chegado ao fim. Silva, por sua vez, ainda via um competidor com muitas noites pela frente.

Capítulo Anderson Silva Fato fundamental
Melhor fase no UFC Dez defesas bem-sucedidas do título de peso médio
Vitórias marcantes Rich Franklin, Dan Henderson, Vitor Belfort, Chael Sonnen, Forrest Griffin
Última luta do UFC Visitei o Uriah Hall em 2020.
Boxe pós-UFC Enfrentou Julio Cesar Chavez Jr., Jake Paul e Tyron Woodley.
Legado de honra Indução ao Hall da Fama do UFC em 2023

O pico de Silva ainda se destaca.

O final tardio não faz jus ao que Silva era no auge de sua carreira.

Durante anos, ele fez o peso-médio parecer um quarto trancado onde só ele tinha a chave. Rich Franklin não conseguiu decifrá-lo. Dan Henderson não conseguiu mantê-lo no chão por tempo suficiente. Chael Sonnen chegou mais perto do que qualquer outro e ainda assim saiu preso em um triângulo. Vitor Belfort levou um dos chutes frontais mais reprisados ​​da história do UFC.

Houve também a luta contra Forrest Griffin, a noite em que Silva subiu de categoria e fez um ex-campeão dos meio-pesados ​​parecer estar em câmera lenta. Aquela versão de Silva tinha um timing que parecia injusto. Ele não se precipitava. Esperava, inclinava-se, tocava, desaparecia e finalizava.

É por isso que o final ainda parece desconfortável. O mesmo lutador que antes parecia impossível de alcançar acabou se tornando um homem que o UFC não queria mais contratar.

A ligação de White deixou uma marca.

White já teve esse tipo de conversa com outros lutadores, mas o nome de Silva torna tudo mais pesado.

Alguns lutadores se aposentam antes que o estrago se torne irreparável. Outros se aposentam após a última vitória. Alguns só se aposentam quando o telefone para de tocar. Silva ficou no meio termo mais difícil: famoso o suficiente para ainda atrair interesse, experiente o suficiente para que cada derrota seja sentida como um perigo, orgulhoso o suficiente para continuar buscando outra luta.

A versão de White é direta. Ele disse a Silva que a parte dele no UFC havia terminado. Silva perguntou quem lhe deu o direito de dizer aquilo. A relação nunca se recuperou.

Mais tarde, o Hall da Fama concedeu a Silva a celebração oficial. Os vídeos com os melhores momentos ainda mostram o gênio que ele era. As defesas de título ainda constam nos livros de recordes. Nada disso muda o lado humano do desfecho.

Anderson Silva não queria que a porta do UFC se fechasse para ele. Dana White a fechou mesmo assim. Anos depois, aquela conversa ainda não cicatrizou.

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