O evento do UFC na Casa Branca ainda nem tinha chegado à sua luta principal quando uma captura de tela sequestrou a narrativa da noite — nenhum soco desferido, nenhuma finalização, apenas uma postagem apagada e uma negação que consumiu o X mais rápido do que qualquer resultado de luta.
O que surgiu na conta verificada de Cormier foi apresentado como uma denúncia: uma suposta troca de mensagens privadas entre ele e Eric Trump, com uma legenda que, segundo quem a publicou, expressava a recusa em permanecer em silêncio, apesar de esperar represálias. A implicação era de corrupção interna. A publicação durou tempo suficiente para se espalhar e depois desapareceu. Essa sequência — pública, viral, sumida — foi o que transformou um boato estranho de domingo à noite em algo concreto.
A suposta conversa em si escalou gradualmente. Começou de forma banal, com cumprimentos sobre a presença no evento e a participação de Cormier na transmissão. Depois, mudou drasticamente de rumo. Surgiram perguntas sobre lutadores lesionados e, eventualmente, a discussão chegou ao seu ponto central: uma pergunta direta sobre resultados predeterminados, uma luta específica mencionada e dinheiro envolvido. A pessoa que representava Cormier na conversa reagiu, alegando incredulidade por ter sido questionada sobre isso.

Trump declara publicamente: Nunca aconteceu, nunca enviei nenhuma mensagem.
Em poucas horas, Eric Trump estava no X rejeitando cada detalhe. Ele afirmou categoricamente que nunca havia contatado Cormier, chamou as capturas de tela de falsificações geradas por IA e marcou diretamente o UFC e Dana White — deixando claro que queria que as organizações prestassem atenção, não apenas à cronologia dos fatos. Seu argumento central era processual: Cormier apagou a publicação e as pessoas não apagam coisas genuínas.
A resposta pública de Cormier foi superficial. Algumas palavras desdenhosas questionando por que alguém acreditaria na história, nenhuma cronologia, nenhuma explicação de como capturas de tela mostrando uma conversa com um membro da família Trump foram parar em sua própria conta verificada. Para um comentarista que passou anos transformando uma carreira com dois títulos em uma presença confiável na cabine de transmissão, o silêncio sobre essa questão específica foi a parte mais prejudicial de todo o episódio. A exclusão criou um vácuo, e vácuos se preenchem sozinhos.
A credibilidade de um comentarista e a atmosfera tensa da noite.
O que torna a posição de Cormier na cabine de transmissão valiosa — para o UFC e para o público em geral — é a combinação de um histórico competitivo genuíno e a aparência de ser um especialista bem informado e imparcial. Ele conquistou simultaneamente os cinturões dos pesos-pesados e meio-pesados, uma distinção que apenas Jon Jones igualou na história da organização. Essa experiência dá peso aos seus comentários. Uma publicação em sua conta, na qual ele questiona se as lutas do card desta noite foram armadas, corrói exatamente essa percepção, independentemente de ter sido ele quem fez a publicação ou outra pessoa.
- Capturas de tela que apareceram na conta verificada de Cormier no Twitter mostraram uma suposta conversa privada na qual Eric Trump perguntou se as próximas lutas do UFC na Casa Branca tinham resultados predeterminados.
- A publicação foi apagada da conta de Cormier depois de se espalhar amplamente pelas redes sociais na noite de domingo.
- Trump negou que a troca de mensagens tenha ocorrido, afirmou que nunca iniciou contato com Cormier e descreveu as capturas de tela como falsificações geradas por inteligência artificial.
- Cormier não ofereceu nenhuma explicação substancial sobre como a publicação apareceu em sua conta, respondendo apenas com um breve comentário desdenhoso antes de se calar sobre o assunto.
A aposta do UFC na Casa Branca acaba de ganhar uma nota de rodapé complicada.
Realizar um evento nos jardins da Casa Branca sempre geraria repercussão política — isso fazia parte do plano. O que ninguém na equipe de produção precisava era de uma acusação de manipulação de resultados, mesmo que já desmentida, associada à equipe de transmissão do evento no dia da transmissão. O fato de Trump ter marcado Dana White não foi por acaso; foi um sinal de que ele esperava uma resposta da cúpula da organização, e não apenas uma negação no Twitter por parte de um comentarista.
A transmissão imediata não foi afetada — Cormier participou da chamada no domingo, independentemente do que aconteceu. A questão mais persistente é se o UFC vai investigar como uma conta verificada pertencente a uma de suas principais vozes na transmissão se tornou o ponto de distribuição de uma história falsa sobre manipulação de resultados em um evento tão importante. Essa é uma questão de responsabilidade que a organização não respondeu publicamente, e a lacuna entre a negação pública de Trump e o quase silêncio de Cormier a deixa em aberto. Quando as lutas terminaram, a postagem havia sido apagada, a negação havia sido registrada e a internet já havia formado sua opinião — com ou sem fatos que a comprovassem.
Evento: UFC Casa Branca — Domingo, 14 de junho de 2026. O papel de Cormier: comentarista de cores. Natureza das capturas de tela: supostas mensagens privadas fazendo referência a resultados de lutas e lutadores lesionados. A posição de Trump: negou todo contato e classificou o material como gerado por inteligência artificial. Resposta do UFC/White: Trump marcou ambos em X; nenhuma declaração independente da organização foi confirmada nas reportagens disponíveis.
Conversa de briga
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